Notebook aberto em uma ferramenta de IA sobre mesa de reunião, com vista da cidade ao entardecer

IA na empresa: as 4 travas do executivo e como começar

Você já usa IA. Por que a rotina continua igual?

Abrimos as inscrições da Jornada IA na Prática e fizemos algumas perguntas a quem se inscreveu. O retrato é de uma plateia sênior. 73% ocupam cargo de gerente ou acima, e 45% são sócios, diretores ou CEOs.

O dado que chama atenção vem depois. 63% já usam inteligência artificial no dia a dia. Só 7% ainda não usam. Mesmo assim, a trava mais citada foi não saber por onde começar, marcada por 36%.

Parece contradição, mas não é. Usar IA para revisar um e-mail ou resumir um PDF é uma coisa. Fazer a IA mudar a agenda da diretoria é outra. Um dos inscritos resumiu bem: “sinto que subutilizo”.

Este artigo pega as quatro travas mais citadas, na ordem em que apareceram. Para cada uma, mostramos por que ela acontece, o erro mais comum e um primeiro passo que dá para aplicar ainda hoje. Cada pessoa podia marcar até duas travas, por isso a soma passa de 100%.

1. Não sei por onde começar (36%)

Por que acontece

A IA chega como ferramenta genérica. Serve para tudo, então não serve para nada em particular. Sem uma tarefa clara, o uso fica no improviso: uma pergunta aqui, um texto ali.

O erro mais comum

Começar pela ferramenta. O executivo assina, testa três aplicativos, assiste a dois vídeos e volta para a planilha de sempre. A pergunta certa não é qual IA usar. É qual tarefa tirar da sua semana.

Primeiro passo

Abra a agenda da última semana e marque as tarefas que se repetem, seguem o mesmo formato e não exigem uma decisão sua. Escolha uma só.

Na nossa pesquisa, metade dos inscritos apontou a mesma: montar relatório, planilha e apresentação para a gestão. Se for o seu caso, comece por ela.

2. Segurança dos dados (27%)

Por que acontece

O executivo lida com informação que não pode vazar: margem, folha, contrato, carteira de clientes. Ele quer usar IA “sem medo de expor dados sensíveis”, como escreveu um inscrito. E muitas vezes depende da “liberação da empresa para utilização da ferramenta (compliance)”, nas palavras de outro.

O erro mais comum

Ficar em um dos dois extremos. Ou proibir tudo e ver o time usar a versão gratuita por conta própria, no celular pessoal. Ou colar qualquer documento numa conta pessoal sem saber o que acontece com ele.

O que nunca colocar numa IA aberta

  • Dados pessoais de clientes e colaboradores, como CPF, salário, endereço e informações de saúde. Aqui entra a LGPD.
  • Contratos, propostas e condições comerciais sob confidencialidade.
  • Números financeiros ainda não divulgados, como o resultado do trimestre ou um plano de investimento.
  • Senhas, acessos e informações de sistemas internos.
  • Qualquer estratégia que você não mostraria a um concorrente.

Gratuita e corporativa não são a mesma coisa

A diferença principal está no uso dos dados. No caso do ChatGPT, a OpenAI informa que, nos planos pessoais, inclusive o gratuito e o Plus, as conversas podem ser usadas para treinar os modelos por padrão, a menos que o usuário desligue essa opção. Nos planos Business e Enterprise, o padrão é o contrário: os dados da empresa não entram no treinamento.

Ou seja, pagar a assinatura individual do próprio bolso não resolve a questão da segurança. O que muda a situação é o contrato corporativo. Antes de liberar qualquer ferramenta, confira nos termos do fornecedor como ele trata os dados da sua empresa.

Primeiro passo

Leve ao TI ou ao jurídico uma proposta curta, em vez de um pedido genérico de liberação:

  • Qual ferramenta e qual plano a empresa vai contratar.
  • Para quais tarefas ela será usada no início.
  • Que tipo de dado pode e que tipo não pode entrar.
  • O trecho dos termos do fornecedor que trata de treinamento e retenção de dados.

Um pedido delimitado é mais fácil de aprovar.

3. Falta de tempo (25%)

Por que acontece

A agenda da diretoria já está cheia. Aprender uma ferramenta nova parece mais uma tarefa na pilha, e ela sempre perde para a reunião urgente.

O erro mais comum

Tratar IA como um projeto para quando sobrar tempo. Não vai sobrar. Enquanto isso, as mesmas horas continuam indo para o relatório de toda segunda-feira.

Primeiro passo

Não separe tempo para estudar IA. Use a IA dentro de uma tarefa que você já faria. Da próxima vez que montar o relatório da semana, faça uma parte com ajuda da IA e compare o tempo gasto.

Trinta minutos aplicados numa tarefa real ensinam mais do que três horas de tutorial.

4. Custo (25%)

Por que acontece

Toda assinatura nova passa pelo financeiro. O valor em dólar assusta quando multiplicado pelo tamanho do time.

O erro mais comum

Comparar a assinatura com zero. A comparação certa é com as horas que você e o time já gastam hoje na tarefa que a IA pode encurtar.

Primeiro passo: faça a conta

O plano individual pago do ChatGPT custa US$ 20 por mês, valor que se mantém desde o lançamento, em 2023. Os planos corporativos cobram por usuário, na mesma ordem de grandeza. Agora veja um exemplo de rotina:

  • Um gestor gasta 4 horas por semana montando relatório, planilha e apresentação. São cerca de 16 horas por mês.
  • Se a hora dele custa R$ 150 para a empresa, essa tarefa custa perto de R$ 2.400 por mês.
  • Se a IA cortar esse tempo pela metade, a economia mensal passa de R$ 1.000, bem acima do valor da assinatura.

Troque os números pelos da sua empresa e leve a conta pronta ao financeiro. A discussão deixa de ser quanto custa a ferramenta e passa a ser quanto custa não usar.

O padrão por trás das quatro travas

Olhe de novo para a lista. Não saber por onde começar é falta de prioridade. Segurança é falta de regra. Tempo é falta de foco. Custo é falta de conta feita.

Nenhuma delas é um problema de tecnologia. A ferramenta já existe, já funciona e a maioria dos inscritos já usa. O que falta é decisão de gestão: saber o que pedir à IA, onde aplicar primeiro e como levar o time junto.

Esse último ponto também apareceu na pesquisa. Um inscrito disse que quer “garantir um piso de conhecimento prático do time”. É isso. Se só o diretor usa, a empresa não muda. Se cada pessoa usa do seu jeito, sem regra, o risco aumenta.

O gargalo da IA nas empresas não é a tecnologia. É a diretoria.

Do diagnóstico à prática

Este artigo ajuda a enxergar as travas e a dar o primeiro passo em cada uma. O método para aplicar a IA na rotina da diretoria, com prioridade, regra e time junto, é o conteúdo das aulas.

A tarefa que metade dos inscritos quer tirar da agenda, o relatório para a diretoria, vai ser resolvida na tela na Aula 2, em 29 de outubro.

A Jornada IA na Prática são três aulas online e gratuitas com Renato Kialka, professor da Formação em IA para Executivos da Audens Edu. Os encontros acontecem em 26 e 29 de outubro e 3 de novembro, sempre às 19h30.

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