O Congresso aprovou o fim da escala 6×1. Para o varejo, que abre no sábado, no domingo e no feriado, a mudança mexe em folha, escala e margem. E o relógio da transição começa a correr no dia da promulgação.
O que diz o texto aprovado
- Jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais, com limite de 8 horas por dia.
- Dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente um no domingo.
- Proibida qualquer redução de salário, inclusive dos pisos.
- Cláusulas de convenção coletiva incompatíveis com a nova regra perdem validade dois meses após a publicação.
A linha do tempo da mudança
Por que o varejo é o setor mais exposto
Loja não fecha no sábado. Opera em fim de semana, feriado e horário estendido, com escala montada em cima da 6×1. Tirar um dia da semana de cada funcionário abre buracos na cobertura que alguém precisa preencher.
Estudo do Ibevar com a FIA Business School projeta perda de 3,6% a 6,1% na geração de riqueza do varejo em caso de adoção imediata, conforme segmento e porte. O BTG Pactual avalia que o impacto será desigual: maior em empresas menores e intensivas em mão de obra, que têm menos escala para diluir custo.
Simulação: o que a 5×2 faz com a margem
Na simulação, a folha sobe 22,5%, os benefícios 30% e medicina e treinamentos 80%. O Ebitda cai de R$ 3,5 milhões para R$ 2,37 milhões, e a margem passa de 7% para 4,7%.
O risco que ninguém calcula: a transição
O custo da folha é o primeiro a aparecer na planilha. O passivo trabalhista vem depois e costuma ser maior.
Mudar escala no improviso gera erro de ponto, hora extra não paga, intervalo descumprido e banco de horas sem acordo válido. São justamente as frentes que mais viram ação na Justiça do Trabalho. E, durante o ano de transição, ampliar a jornada diária acima de 8 horas só vale com convenção ou acordo coletivo.
Calcule: quanto a 5×2 pode custar na sua operação
Estimativa de quantas pessoas a mais você precisaria para manter as mesmas horas de cobertura de hoje.
Conta simplificada: horas semanais perdidas divididas pela nova jornada, multiplicadas pelo custo por pessoa. Não considera hora extra, ganho de produtividade, mudança de horário de funcionamento nem automação. Use como ordem de grandeza, não como orçamento.
O que decidir nos próximos 60 dias
- Quantas pessoas da sua operação estão hoje em 6×1 e quantas horas de cobertura você perde com a 5×2?
- Esse buraco será coberto com contratação, horário diferente, tecnologia ou redução de funcionamento?
- O seu controle de ponto e a sua convenção coletiva aguentam a nova escala sem gerar passivo?
Quem responde essas perguntas agora se organiza. Quem esperar a primeira fase entrar vai ajustar a escala no meio do Natal.
Pesquisa: qual o seu maior desafio trabalhista?
A Audens Edu está ouvindo donos e sócios de empresas sobre escala 6×1, contratação PJ, NR-1 e passivo trabalhista.
- Poucas perguntas, respostas rápidas
- As respostas orientam os próximos conteúdos e encontros da Audens Edu para empresários

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